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Zagueiro do Verdão já foi atacante e quase desistiu do futebol


O riso fácil do zagueiro Vitor Hugo fora dos gramados se transforma em um semblante sério quando ele defende as cores do Palmeiras. Em campo, o jogador de 24 anos foi campeão da Copa do Brasil como titular, em uma das tantas batalhas que precisou enfrentar até chegar ao clube paulista.

No caminho, por exemplo, houve até uma mudança de posição -- ele jogou de ponta esquerda até os 17 anos. Para erguer a taça de uma competição nacional, Vitor Hugo superou mais barreiras. Uma delas, inclusive, quase o fez desistir de ser jogador de futebol.

O fato se deu ainda na base, quando o atleta pertencia a um pequeno time de Londrina, o Junior Team, que o contratou e o emprestou para o Jacarezinho, equipe da cidade homônima. O zagueiro campeão só esqueceu a ideia quando conseguiu subir para o profissional, já no Santo André. 

"O Junior Team me emprestou para o Santo André e então decidi seguir. Joguei lá e fui aprovado. Aí pensei: agora está começando a ficar bom. Comecei a ter um salário mais de verdade. Antes era um salário mínimo", disse Vitor Hugo em entrevista exclusiva ao UOL Esporte.

A realidade era completamente oposta à atual. Quando perambulava por times pequenos do interior do Paraná, o zagueiro não tinha a chance de ajudar financeiramente. "No começo eu tinha de ser ajudado, em vez de lucro dava prejuízo", brincou o zagueiro, que depois do Santo André defendeu Sport, Ituano, Ceará e América-MG, além do Palmeiras.

A distância da família, porém, ainda precisava ser superada. Nesse cenário, coube aos pais de Vitor Hugo resolver a situação. "Em todos clubes que passei eles foram atrás. Chegaram a viajar três dias de carro, de Guaraci a Fortaleza, três dias de viagem, quando eu jogava no Ceará. Só para passar uns dias comigo", disse.

No momento mais importante da carreira de Vitor Hugo, eles também estavam lá. Os familiares acompanharam a comemoração do título da Copa do Brasil no gramado do Allianz Parque. "Agora eles vêm de avião, a condição melhorou um pouco", afirmou o zagueiro.

Ponta veloz

Vitor Hugo mostrou, ao longo do ano, segurança na linha de defesa palmeirense. Não à toa ele tornou-se o zagueiro com mais jogos pelo time alviverde em 2015. No total, o camisa 31 disputou 56 jogos, dos 70 que o Palmeiras fez na temporada.

O jogador, entretanto, não deu os primeiros passos no futebol na zaga. Antes de completar 17 anos, ele se arriscava no campo de ataque, pelos lados, em velocidade. "Eu era atacante, 
um ponta esquerda magrinho, corria muito", lembrou.

Ele atuou dessa forma por sete anos, pois começou a jogar futebol aos dez, na cidade paranaense de Guaraci. Foi lá, depois de deixar Curitiba, sua cidade natal, que jogar futebol passou a ser realidade. "Entrei na escolinha da prefeitura por causa do meu primo, que é treinador. E fui inventar de ser jogador. Ele me ensinou muito", contou.

Em 2013, Vitor Hugo chegou ao América-MG, clube que, segundo ele mesmo, o transformou. "Lá eu deixei de ser um menino para ser um jogador de verdade. Tive a chance de jogar campeonatos inteiros, disputei muitos jogos e amadureci muito", disse.

"Alicerce"

O zagueiro chegou ao Palmeiras no começo do ano, depois de se destacar no futebol mineiro. Para encarar a nova realidade e a pressão de jogar em um time grande, Vitor Hugo se apega ao convívio com a mulher, Rafaela, e ao filho, Pietro, de dois anos.

Sem família ninguém é nada. Minha esposa e meu filho estão comigo aqui no dia a dia, batalhando comigo, me aguentando. Quando o time perde fico muito chateado. Dá gosto de fazer as coisas por eles. Quando o time vence, meu filho sorri", contou.

Na capital paulista, Vitor Hugo sai pouco. Do apartamento em que vive, ele consegue ver o palco da maior glória da carreira. Na folga, prefere ficar por lá. "Não costumo sair porque meu filho é pequeno. Eu sou caseiro. De vez em quando vou ao shopping para dar uma volta com a minha mulher".

Da falha ao desafio internacional

Em fevereiro, ainda no quinto jogo com a camisa do Palmeiras, o zagueiro passou por um momento complicado. Durante o clássico com o Corinthians, Vitor Hugo falhou em um lance e deu a chance de o rival marcar um gol -- no fim, o time perdeu a partida.

"Passei um momento difícil. Lógico que ninguém quer erra em um jogo daquele. Mas serviu de aprendizado para mim. Alguns torcedores tiveram paciência comigo. Consegui mostrar para eles, consegui recuperar a confiança do torcedor. É preciso saber lidar com a pressão", ressaltou.

No ano que vem, Vitor Hugo disputará seu primeiro jogo internacional, na Libertadores. E ele já prevê que terá um desafio pela frente. "Vai ser muito impressionante. Vou ter que mostrar muito serviço, ralar muito para conseguir continuar no time", finalizou o zagueiro.



Fonte: UOL Esportes
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